terça-feira, 4 de novembro de 2014

Dilma, God bless you!


a Liberdade marcha sobre os cadáveres do conservadorismo

A mensagem acima é simples: o país deve muito a Dilma. Digo isso num sentido republicano. Primeiro com sua história pessoal de enfrentamento das forças antidemocráticas e ditatoriais que tomaram o país no ano de 1964 e excluíram a maioria pobre e indefesa do processo político. O Brasil, à época, era um clube da elite que fazia e desfazia os próprios desejos sem dar satisfações a ninguém. A constituição foi transformada numa agende de garota de programas e quem tinha mais dinheiro definia o rumo do país à canetada.
O primeiro governo legitimamente popular do Brasil foi eleito em 2002, com Lula, onde as transformações foram inquestionáveis. Foi essa herança que permitiu a Presidenta Dilma ser eleita e reeleita. A batalha política nunca acaba e mesmo depois de uma eleição disputada – que, diga-se de passagem, é normal em todos os países de longa tradição eleitoral – o esteio do sentido republicano continua sobre os ombros de uma mulher forte e entusiasta da independência dos poderes, em contraste profundo com a histeria fascista de parte do eleitorado paulista.
Interessante é que os paulistas se orgulham do ‘9 de julho de 1932’, a data da chamada revolução constitucionalista, onde queriam uma Constituição para o país, algo que deixasse claro o sentido de soberania, liberdade e que mantivesse o processo democrático em continuo movimento. Hoje, em 2014, parte dos paulistas, e grande parte da mídia, cospe na Constituição com justificativas preconceituosas e até mesmo xenófobas sobre o resultado do pleito presidencial de 2014.
Se o resultado tivesse sido o oposto, Aécio 52% e Dilma 48% dos votos válidos, teríamos a festa da democracia. Já a vitória de Dilma é culpa da ’ignorância’ do povo nordestino, como se cariocas, mineiros e milhões e milhões de paulistas e brasileiros, de uma forma geral, não tivessem votado em Dilma.  Isto é República: a somatória dos votos, não os desejos de poder da elite paulista!
A parte paulista que chafurda no fascismo é guiada por profetas cegos como Lobão, Diogo Mainardi, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Gilmar Mendes e Cérberos mais e se comporta exatamente como a parte dos argentinos que nos chama de ‘macaquitos’, porque seríamos inferiores, não só no futebol, como no processo político também.   
Querer, desejar impor ao outro em quem ele deve votar, ou exigir que tenha opções de vida iguais às nossas, é a mais profunda concepção de um desejo nazi-fascista. Hitler e Mussolini pensavam assim; Stalin, na antiga URSS, fazia o mesmo. E é por isso que agradeço de novo a Dilma, pois sua trajetória política ajudou a desmascarar os falsos democratas que se escondem por de trás do partido da elite brasileira, o PSDB. Nada melhor para o processo democrático do que a queda das máscaras e a revelação, à luz de uma eleição, ‘dos projetos de ditadores’ disfarçados de cidadãos.
Nossa maturidade política será alcançada, acredito que nas próximas décadas, de acordo com o quanto formos capazes de discutir temas políticos com base num sentimento pragmático e não alimentado por uma ilusão de mudança, onde o sujeito indicado para desencadear a transformação for, em essência, algo impregnado de retrocesso. Caso específico de Aécio Neves.
O eleitorado paulista que aderiu à candidatura de Aécio Neves e, na emoção da campanha, confundiu hipocrisia com sonho, conservadorismo com honestidade, política com big-brother, abandonou o conceito iluminista do republicanismo no lixo e ainda não acordou para resgatá-lo, o que seria um gesto de dignidade política e cidadania.
Diga-se de passagem, esse sintoma fascista é grave e beira a paranoia quase que delirante, e o remédio nada mais é do que o retorno à própria discussão política, somada à uma leitura de uma imprensa independente, cada vez mais difícil de se encontrar, já que o governo paulista é o maior assinante da Veja, Folha de SP, Estadão, Isto É, Globo News e derivados. Em caso de dúvida, consulte o Diário Oficial. Lá você encontrará quanto do dinheiro público é gasto com propaganda e assinaturas por um estado da federação que tem a educação pública sucateada, uma segurança abaixo do nível do satisfatório e que ainda por cima, não tem água. Mas reelege o governo estadual. É mole?
OBS: não votei em Alckmin, nem jamais votarei, mas em termos republicanos, é o governador de meu estado. Combatê-lo-ei dentro do processo democrático constitucional, em sintonia com o Estado de Direto, que pertence a todos nós. 



             

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