sexta-feira, 28 de julho de 2017

Moro, o sub-gringo



Muito além da posse, ou não, do triplex do Guarujá, a qual Moro condenou Lula por nove anos de detenção, há todo um cenário geopolítico que a grande maioria da população não consegue enxergar. Em qualquer lugar do mundo a posse de um imóvel corresponde ao nome do proprietário estampado na escritura. Se formos honestos, concluiremos que esse não é o caso.
O que estava em julgamento não era a posse de um apartamento per meio ilícitos, mas sim uma forma política de ver o mundo a qual Lula representa: um conjunto de idéias de cunho social que atrelam a responsabilidade do Estado na organização e manutenção do bem estar coletivo. Alcançar o bem estar social por meio da positivação de leis que visam a aproximação das várias classes sociais brasileiras pra níveis, no mínimo, civilizatórios, sempre foi o papel de Lula, ao longo de nossa recente história política. - Talvez, por isso, tenha em meio a elite do país seus maiores inimigos e também seus apoiadores de maior peso. 
A curto prazo, sonhando com as benesses de um mercado livre e incontrolável, uma espécie de sonho econômico impossível, se encontra a elite conservadora do Brasil. Ela composta por aqueles que acreditam que o desenvolvimento do país não ocorre enquanto houver programas sociais, tais como as cotas raciais e o bolsa família. Exterminados tais programas e privatizado tudo o que se diz respeito à ação do Estado, nos tornaríamos um país que viria a se assemelhar aos EUA. Um sonho ingênuo que exala aromas fascistas e que não se envergonha de usar a força para se impor contra aqueles que pensam diferente.
Já a outra parte da elite do país defende uma política econômica que almeja o aumento da circulação de dinheiro no mercado interno. É onde se encontra os apoiadores de Lula, grupo que por vezes é identificado como esquerda caviar e que luta para que a aproximação entre as classes econômicas se faça pela ação do Estado na economia. Essa esquerda caviar sabe das necessidades de se limitar, via Estado, a libertinagem do sistema financeiro e de tornar a produção de bens algo mais real e menos especulativa e, dessa forma, possibilitar a manutenção econômica de uma grande classe média, por meio do trabalho e do consumo.
Assim temos dois caminhos para formatarmos, via eleições, o capitalismo brasileiro: a) uma liberalização desenfreada das ações do Estado, alcançada por privatizações a toque de caixa. b) um programa econômico onde o Estado vai concedendo espaços para a iniciativa privada, ao mesmo tempo em que fiscaliza os índices sócio-econômicas do país por meio da imprensa e de dados do IBGE e responde por programas sociais. Essa segunda opção nos tornaria uma social-democracia-tupi.
Porém, num mundo globalizado, tal escolha diz respeito, também, ao que os Estados Unidos, Europa e China querem e esperam do Brasil. Que tipo de 'desenho' deve ter nossa economia para que eles possam contar com ela para o desenvolvimento próprio? Dessa forma, podemos perceber que quanto mais aberto for nosso mercado, melhor pra eles e pior para nossas empresas e empreiteiras que, com ou sem propinas, vêm tocando o Brasil há décadas.
É fácil de perceber que Lula propõe a estruturação, primeiramente, de um mercado interno e um posterior avanço de nossas empresas no mercado global. O problema desse modelo é que ele pode gerar poder, 'bala na agulha'. E num mundo global competitivo, o que menos os países desenvolvidos desejam é um país emergente ganhando espaço no exterior.
E o Moro com isso? Simples: o papel a ele estipulado, nessa rede de interesses globais, foi o de  criminalizar, por meio do MP, da PF e suas sentenças, os CNPJs das empresas brasileiras investigas na Lava Jato, e não os CICs dos responsáveis pelos crimes. Isso é algo inédito no mundo.
Fica claro que Moro, por de trás de um muro de hipocrisia, defende os interesses externos e o faz por meio de um bode expiatório chamado Lula. Bode que alimenta muito bem a ignorância geopolítica dos grupos anti-petistas, mantendo-os cegos ante a realidade global.
Enfim, Moro trabalhou para os gringos nesse tempo todo, o que o torna, antropologicamente falando, num sub-gringo. Alguém que luta pelo desenvolvimento de nações estrangeiras, causando a miséria do próprio povo, enquanto enriquece a si mesmo com a trama que controla. Um trapo, 'um traíra', como se diz na Alemanha.                                          
         
           

                     

Nenhum comentário:

Postar um comentário