terça-feira, 28 de novembro de 2017

O absurdo



O sentido da vida, pra mim, está no desejo de vencer o absurdo que ronda nossa existência desde sempre. A vida, claro, nos sugere ser desprovida de razão, pois a morte não permite que edifiquemos nada que vá além do pó. Mas mesmo assim, nos intoxicamos com 'certezas' e somos cada vez mais altivos com nossas vãs teorias. Seres feitos do barro, com armaduras confeccionadas pela vaidade, estruturas à base de sepulcros caiados e, sem nenhum grafite pra ilustrar uma boa mensagem, somos resumidos, atualmente, por selfs vazias que são desconectadas de nosso processo histórico; um dos campos do conhecimento que pode nos dar um mínimo de consciência necessária ante ao processo evolutivo.  
É com base nisso que me preocupo com essa onda de conservadorismo/intolerância que assola o país e o mundo. O senso comum é como os carburadores dos carros mais antigos, vez ou outra precisa de uma limpeza. De onde virá tal faxina? Talvez da arte, da liberdade sexual, da política, ou da consciência ambiental que está demorando um pouco além da conta pra se tornar parte inegável de nosso mundo. Detalhe: jamais a renovação virá da intolerância.
Vivemos tempos em que nossa classe média anda a produzir massa fecal com a mente, uma inversão fisiológica que muitos dirão ser cíclica. Outros dirão que nada mais é do que uma falta de pudor elevada à enésima potência e que causa esse 'natural' afastamento da inteligência social. É óbvio que os intolerantes dessa classe social não se preocupam com a literatura, com o cinema e nem com o teatro, mas fazem protestos nas portas de museus exigindo proibições sobre assuntos que desconhecem. E isso, lamentável, virou moda no Brasil.     
Ainda tem mais: na busca pelo aumento do poder de consumo, essa mesma classe média passou a expressar ‘pérolas’ racistas, preconceito sexual, conceitos de extermínio e falso moralismo em anexo a um discurso supostamente sofisticado de redução do Estado e abandono dos pobres e miseráveis a si mesmos. Tudo isso em prol de algo que chamam de meritocracia; como se isso pudesse torná-la mais abastada da noite pro dia.
'Em suma', o sentido da vida vai muito além do ‘direito’ de ser um racista, um misógino, um elitista, um conservador retrógrado que prega a pena de morte e a aquisição de armas de fogo como ingredientes necessários para o funcionamento de uma ‘sociedade de consumo ordeira’. Sabemos que o consumismo vive do excesso e do desperdício, e que isso não nos levará ao paraíso ou ao auge da evolução. Pelo contrário, eis a patologia. A classe média está com lúpus e ataca partes de si mesma como se fossem demônios, tudo em busca do ‘direito’ de comprar bugigangas. 
Sim, o suicídio, a criação de bodes expiatórios e as aspirações consumistas são formas de se praticar o Absurdo. 

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