segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O conservadorismo é uma patologia

Patologia é uma degeneração do organismo que vai de uma suposta normalidade para um funcionamento irregular e prejudicial ao corpo e/ou ao mundo externo que o envolve. Tecnicamente falando, uma depressão causa mal a um indivíduo que a desenvolveu e aos seus familiares mais próximos. Já a loucura/neurose/esquizofrenia, entre outras patologias, podem fazer mal pros vizinhos, pro bairro e até pra uma cidade inteira, dependendo do caso.
Na política, as patologias tendem a levar a Sociedade, como um todo, ao desconforto. Claro, sempre haverá os seguidores fanáticos desses líderes patológicos que passam a acreditar que descobriram o caminho das Índias e, deveras, começam a produzir pérolas e mais pérolas. As políticas higienistas, por exemplo, propõem um suicídio que se comete por partes. Um dos maiores casos de patologia política, na História, foi o de Adolf Hitler, com o nazi-fascismo. Hitler iniciou seu pesadelo, que chamava de sonho, pela exclusão física dos judeus dos bairros das cidades alemãs, com respectivos confinamentos em guetos e posteriori extermínio em holocaustos nos Campos de Concentração.
A política saudável e racionalmente Iluminista, base de nosso modelo republicano, propõe justamente o oposto: devemos vislumbrar as fronteiras das mortes causadas por carências sócio-econômicas do processo de exclusão e revertemos seu fluxo de fora pra dentro da vida sócio-político-cultural. Ou seja, um anti-hitler iria administrar o mundo alemão, dos anos de 1930, tentando trazer os habitantes dos índices de mortalidade e de subsistência dos 'guetos' pra dentro dos bairros através da educação, do trabalho e da participação política. E todos, juntos, para os espaços culturais públicos onde se poderia usufruir da individualidade o mais próximo possível da ideia que se tem de liberdade.
Jeremy Bentham, jurista inglês do século XVIII, defendia a tese de que o quê seria bom e saudável para a coletividade, para o grupo social, logo seria saudável, também, para o indivíduo.  Porém, a noção do que 'deve ser' o conjunto cultural coletivo, nos remete, sempre, nas questões do dissenso. E isso sempre eleva a temperatura política causando um superaquecimento nas relações sociais e seus inevitáveis conflitos. Ora essa tensão é explicitada em protestos, ora nas vias de fato: pancadaria.
Claro, no fundo estamos falando de lógica. Por um minuto imaginemo-nos desejosos em potencializar o funcionamento de um programa de computador, um programa que chamamos de sistema operacional. O que devemos fazer? Começar pelo hardware, ou pelo software? Pelo hardware: se mudarmos o formato da tela, o tamanho do mouse, a extensão dos fios, o 'desing' do gabinete, será que com todas essas 'mudanças' o sistema operacional iria funcionar melhor? Ou devemos elaborar uma ideia de como, e o quê, o 'pensamento' que iremos desenvolver no software deverá fazer e não fazer e assim definimos sua essência e por conseqüência, no conjunto de hardware?
Eu prefiro as mudanças internas que revelam as novas necessidades externas coletivas com seus respectivos periféricos, o que chamamos de patrimônio público. Claro, sem educação, reflexão, debate e inclusão, a sanfona não toca e o baile não segue. Temos exemplos práticos dessa anomalia que deseja mudar o mundo através da repaginação dos 'periféricos' para se alterar o modo de se pensar. Sim, são patologias políticas, tanto Trump, quanto Dória.
O norte-americano, que até tem alguns 'bons pensamentos', sobretudo quando atribui ao sistema especulativo americano a culpa pelo empobrecimento da classe média americana, que segundo ele, pagou a conta pelo enriquecimento da especulação desenfreada, se torna um pateta quando deseja construir um muro que separe os EUA do México. E ainda: deseja proibir a entrada de imigrantes no país. Os EUA são um país de imigrantes. Proibi-los é algo que conota uma patologia: quando o sistema imunológico ataca o próprio corpo, nos deparamos com as doenças auto-imunes, no caso o Lupus. Dessa forma, os EUA, com Tramp, desenvolveram um Lupus social.
O mesmo pra Dória: seja de Gari, numa cadeira de rodas, ou como apagador de pichações, em sua limitada visão do mundo, a pichação, a 'sujeira' estão nas paredes, no chão da cidade. Apagá-las, varrê-las, só servirá para produzir mais e mais. Como ocorre quando se corta uma das cabeças da Hidra; Ou mesmo das doenças da pele: quanto mais se coça, mais a coceira espalha.
As patologias revelam, principalmente na política, o quão superficiais são esses homens e o que podem desencadear na sociedade, em termos de malefícios, pois não são essenciais em suas ações, mas superficiais. Patéticos, tristemente patéticos, com seus seguidores ilógicos, que ascendem, dessa forma, dia a dia, ao nível dos drones: comandados, mas sem um cérebro que os individualize.