quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Chagal e a tristeza sólida

Porque caminhamos sólidos,
solitários perante a turba.
O anseio e o desejo nos alastram mundo afora.
O vento trucida a pele.
E o mar chama ao longe.

Porque é preciso terra nova,
limo novo para os pés,
lábios novos para o sangue,

eletricidade nos olhares.
Um fervor de carnívoro à selva urbana.



Porque choramos baixo,
no depois do sol da tarde.

É a dança da vulnerabilidade,
uma valsa silêncio.

Compassos de mágoas na carne.

Porque humanos, sofremos,
se não houver desejos gozosos,
louvores e possibilidades de amores odiáveis.
Anjos estúpidos a semear vaidades.

Porque humanos, morreremos da vasta degustação da carne.